Nossas raízes são muitas

Assistindo a uma dança em uma festa de imigrantes no Sul do Brasil, penso em como as manifestações culturais dizem das peculiaridades de cada povo. Sua forma de ser e de expressar.

Ao mesmo tempo, me lembro da dança africana e todas as matizes dessa cultura tão presente na nossa Bahia. O congado de Minas Gerais, os índios e toda a diversidade do povo brasileiro. 

Nossas raízes são muitas. Africana, indígena, portuguesa, italiana, alemã, japonesa… E tantas outras…

Porém, antes de tudo, somos humanos. Isso que nos faz um só, ainda que cada um de nós seja dividido.

Assim como temos luz e sombra — é importante ver todos os lados — resgatar nossas origens é entender cada pedaço de nós.

Criamos limites e criamos fronteiras. Somos cisão.

E ser humano pressupõe a falha. Enquanto se nega um lado ele insiste em sair. Projetamos fora a divisão que temos dentro.

Penso que o olhar amoroso para o todo que somos pode se expandir para a compreensão das diferenças que encontramos.

Ao invés de dividir, somar. Reconhecer nossas origens é saber da riqueza que nos constitui. Brasileiros, sim, mas antes de tudo, humanos.

Use a sua voz para dizer o que se cala

Vivemos na era pós digital onde a imagem impera. Demonstrar alegria nas redes sociais é quase uma regra — falar de fraquezas e medos não fica bem em fotos nem gera curtidas.

O que não expressamos encontra alguma forma de se manifestar — na agressividade, no preconceito, em doenças psicossomáticas. Acumular dores gera os vários tipos de câncer que vemos brotar na nossa sociedade.

A tentativa de camuflar o que incomoda pode ser refletida no crescimento desenfreado da indústria farmacêutica. O Brasil ocupa a 8ª posição no ranking mundial desse mercado que fatura mais de R$ 63 bilhões por ano em território nacional.

Pela falta de informação, a psicologia ainda é mal vista por muitos, mas o caminho que ela propõe — o do autoconhecimento — é uma porta aberta para o nosso desenvolvimento enquanto seres humanos.

A proposta do “Em palavras” é buscar a expressão do que nos define, enquanto seres únicos nesse planetinha. Um canal para a fala — atendimento ‘online’ e presencial — e para a escrita — textos que tratam de temas humanos contemporâneos e atemporais.

Toda a mudança que queremos ver no mundo começa por nós mesmos.

Não cale a sua voz, escute as suas dores e escreva a sua própria história.

“Minha voz uso para dizer o que se cala” (Elza Soares)