O lugar do trabalho na saúde mental

Entenda porque o trabalho tem um importante papel na saúde mental. 

É  sempre bom falar sobre saúde mental, pois enfatizamos muito a saúde física e a negligenciamos na nossa cultura. 

A importância do trabalho na saúde mental está relacionada à manutenção do equilíbrio psíquico. No entanto, formas e condições de trabalho podem levar ao adoecimento.

Saúde mental e trabalho são dois importantes temas em nossas vidas e estão intimamente relacionados. O trabalho tem uma importante função para nós, mas pode tanto ser fonte de satisfação como de adoecimento psíquico. 

O trabalho como fonte de satisfação

A escolha profissional, quando se trata realmente de uma escolha — quando é possível usar suas inclinações no trabalho —  tem um lugar fundamental na constituição da subjetividade. Essa escolha, quando é resultado de importantes trabalhos psíquicos, como o processo de sublimação, possibilita a criação, a transformação e pode ser fonte de satisfação. 

O lugar do trabalho na saúde mental está relacionado com a possibilidade de exercer suas habilidades e aspirações. Quando isso acontece, o sujeito encontra no seu labor, um lugar no mundo. O trabalho se torna uma via de criação e expressão da própria subjetividade e, o trabalhador, um agente transformador.

O problema está quando o trabalho, ou as condições de pressão por ele impostas, levam ao adoecimento psíquico.

Saúde mental: capacidade de amar e trabalhar 

Certa vez, perguntaram a Freud como ele definiria uma pessoa com boa saúde mental. Ele respondeu: aquela capaz de amar e trabalhar. Não só a saúde mental dos indivíduos, mas das sociedades, depende da capacidade de amar e trabalhar.

Parece algo simples: então, é só amar e trabalhar e serei feliz e satisfeito? Não, a palavra CAPAZ tem uma função, que exige um aprofundamento do que seria isso.

A capacidade de trabalhar

Em primeiro lugar, a saúde mental tem a ver com a capacidade de lidar com o que nos aflige, nos deixa ansiosos, e de elaborar esses conteúdos para transformá-los, usando essa energia desprendida com esses sentimentos, para realizar uma outra coisa. O trabalho pode ser uma delas, assim como a arte, a cultura e a capacidade de amar.

A capacidade de trabalhar é o resultado de processos sublimatórios, ou seja, de processos de deslocamento ou desdobramentos de impulsos, pulsões, desejos. A sublimação é um mecanismo estruturador do ser humano e tem a ver com a capacidade de construir nossa individualidade e nosso lugar social. Tem a ver com a formação de caráter, com a formação do eu. 

O valor do trabalho

Dentre todas as possibilidades resultantes dos processos sublimatórios, o trabalho é a que mais prende o indivíduo à realidade, que fornece um lugar seguro em uma parte da realidade, na comunidade humana.

Essa energia que desprendemos e colocamos no trabalho é o que dá valor a ele, que o coloca como algo indispensável à preservação e justificação da existência em sociedade.

No entanto, temos que lembrar que a atividade profissional constitui fonte de satisfação quando pode ser livremente escolhida, onde possamos usar nossas inclinações.

Só que o trabalho na nossa sociedade tem um peso, pois a maioria das pessoas trabalha sob a pressão da necessidade, o que leva a uma aversão do trabalho e a problemas sociais muito difíceis.

Então, a capacidade de trabalhar tem a ver com fazer algo com isso que nos inquieta, mas que nos impulsiona. Tem a ver com a possibilidade de transformação pela nossa ação, tem a ver com a criação.

O simples fato de trabalhar não garante a saúde mental, existem formas de trabalho que são patológicas, que trazem mais danos do que benefícios.

O trabalho, quando é o resultado dos processos sublimatórios, torna-se um importante fator para a manutenção do equilíbrio psíquico, pois garante outros destinos pulsionais tais como a criação e, sobretudo, a inserção social do sujeito. 

Freud resume a existência humana da seguinte forma: 

“O amor nos mantém investidos libidinalmente, o trabalho nos dá um lugar no tecido social, pois transcende a necessidade de sobrevivência fazendo de nós agentes transformadores da sociedade na qual estamos inseridos.”

Ser capaz de trabalhar, ou seja, quando o trabalho é fonte de satisfação, é um bom sinal de que as coisas estão caminhando mais ou menos bem, mesmo frente a inconstância da vida.   

Qual o lugar que o trabalho ocupa em sua vida?

Se quiser aprofundar esse tem, invista no cuidado de sei, invista na sua saúde mental. Entre em contato comigo.

Este é o último de uma série de três artigos sobre o tema: o lugar do trabalho na saúde mental, criado a partir de uma palestra realizada por mim na empresa Resultados Digitais. Se quiser receber os próximos textos do blog, deixe seu e-mail abaixo. (a frequência é semanal!)

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Publicado por Adriana Prosdocimi Psicanalista

Psicóloga e psicanalista. Atua especialmente com consultas online — uma forma de atendimento que rompe as barreiras da distância, facilitando o acesso ao psicólogo, inclusive para os brasileiros que vivem no exterior.

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