Uma história sobre desvio e como a psicanálise pode ajudar as pessoas

Se você pesquisar no Google como a psicanálise pode ajudar as pessoas, vai encontrar que ela melhora os relacionamentos, promove o autoconhecimento, tem um efeito contínuo, etc. 

Quando me propus a escrever sobre esse tema — um desafio arriscado, pois soa como promessa e não pode ser — li alguns desses artigos, mas a minha inspiração veio de outro lugar: da história que uma amiga muito querida e de longa data me contou uma vez na Bahia. 

Vou te contar a história, pois ela ilustra como a psicanálise pode ajudar as pessoas. É sobre desvio.

Desvio: mudança do caminho

No dicionário, desvio é definido como mudança do caminho, da direção ou da posição normal. Se eu tivesse que responder em poucas palavras, definiria mais ou menos dessa forma os efeitos de uma análise. 

E talvez por isso essa história que vou contar para vocês tenha me marcado tanto, por sua sutil beleza que toca algo de uma verdade.

Há uns três anos, talvez até mais, eu não via a minha amiga. Antes da pandemia, ela morava em Barcelona, mas estava no Brasil quando começou o lockdown

Na Espanha ela não voltou, pois seu parceiro teve um surto de lucidez, entregou o apartamento e alugou uma casa em Santo André/BA, embarcando um dia antes das fronteiras fecharem. 

Assim eles se mudaram para a Bahia. 

E foi lá que nos reencontramos. Com os pés descalços na areia, na beira do mar, caminhávamos até a barraca do pescador adiante, que tem o melhor arroz de polvo do povoado.

Condições de clima, temperatura e visual perfeitos, e muita empolgação nesse encontro — falamos sem parar. Era muita coisa dentro de nós, muitas experiências, sensações, mudanças e tudo borbulhando desde as profundezas. A gente mergulha. 

Em meio a esse tanto que saia de nossas bocas, mentes e corações em formas de palavras, minha amiga me contou uma história. Breve, mas com um brilho que ilumina o entendimento do que se dá em um processo de análise.

Ela me contava como se sentia em situações específicas que a levavam a reagir sempre da mesma forma. Parecia um vórtice, que repetia e repetia, mesmo após anos de análise.

Sua angústia era sobre isso que insiste em repetir, porque ela não queria mais pegar o mesmo caminho, outra vez. Falou sobre o que sentia para sua analista, que logo fez uma intervenção com um toque de sutiliza e quase magia, que fez todo o sentido para a minha amiga.

Sua analista falou sobre o desvio. 

Fazer um desvio é poder olhar para o lado, enxergar outro caminho e escolher mudar de direção. É bonito porque diz de um movimento sutil, nada brusco, mas possível.

Talvez a psicanálise possa ajudar as pessoas a enxergar mais do que um único e mesmo caminho a seguir. Mas, o que parece simples, requer trabalho — esse que se faz em análise.

Para chegar nesse ponto de poder escolher o desvio e (re)agir diferente, dessa vez, é preciso conseguir enxergar suas repetições, acessando conteúdos antes inacessíveis.

O desvio propõe uma nova direção, um novo caminho, uma nova posição. Uma metáfora que mostra como a psicanálise pode ajudar as pessoas.

Faz sentido pra você?

Publicado por Adriana Prosdocimi Psicanalista

Psicóloga e psicanalista. Atua especialmente com consultas online — uma forma de atendimento que rompe as barreiras da distância, facilitando o acesso ao psicólogo, inclusive para os brasileiros que vivem no exterior.

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