Violência contra a mulher: por que ela não começa no extremo

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Um problema que precisa ser reconhecido por mulheres e homens — e enfrentado coletivamente

A misoginia — o ódio contra as mulheres — é a base de uma sociedade em que homens são valorizados e mulheres, desvalorizadas. Não se trata de opinião, mas de estrutura: a naturalização da superioridade masculina, enraizada nas normas sociais, culturais e institucionais.

Por isso, leis que combatem esse comportamento são importantes. Recentemente, foi aprovado no Brasil o Projeto de Lei 896/2023, que criminaliza a misoginia, reconhecendo e penalizando práticas que sustentam a violência contra a mulher.

Nomear essas dinâmicas no campo jurídico é um avanço. Mas, no campo das relações, ainda precisamos aprender a reconhecer como essa lógica se manifesta no cotidiano — muitas vezes de forma sutil.

Para combater a violência contra a mulher é preciso conhecer sua causa e o que alimenta sua escalada. Porque, na maioria das vezes, ela não começa no extremo, com agressão física, mas na lógica de desvalorização que atravessa a forma como homens e mulheres são ensinados a se relacionar.

Existem sinais que parecem pequenos — como os de abuso psicológico — mas que podem ser prenúncio de algo maior.

Sinais de abuso psicológico

Se você sente um desconforto constante no seu relacionamento, se sente confusa ou frequentemente desqualificada pelo seu parceiro, é importante estar atenta. Você pode estar vivendo uma situação de abuso psicológico.

Nesses casos, é comum duvidar de si, “pisar em ovos” e tentar se moldar ao que o outro espera, com medo de desagradar — e sofrer alguma consequência. O tratamento de silêncio, por exemplo, pode parecer sutil, mas é uma forma de punição.

Algumas dinâmicas misturam elogio e desqualificação, gerando confusão emocional — como no que se chama de negging. Aos poucos, você passa a duvidar do que sente, do que percebe, de si mesma.

Sair desse tipo de relação não é fácil. Como existem momentos bons, surge a esperança de que o outro vai mudar. Instala-se uma ambivalência: “me faz mal, mas eu gosto dele”.

Como sair de um relacionamento abusivo

Identificar os sinais de abuso psicológico — mesmo os mais evidentes — é difícil, devido à confusão causada pela manipulação emocional. Muitas mulheres não se dão conta que estão sofrendo uma violência: a percepção da realidade fica prejudicada.

Mesmo quando têm consciência, muitas permanecem na relação por dependência emocional, financeira, medo de ficar sozinha, entre outros fatores.

Por isso, escutar o desconforto e nomeá-lo é uma forma de interromper esse ciclo. E, se for preciso, buscar ajuda, com amigas e familiares, quando de fato oferecerem apoio.

Ainda assim, contar com o acompanhamento de uma profissional de saúde mental, é fundamental para retomar o contato consigo mesma e reconstruir sua autonomia.

Se não interrompermos essa lógica, a violência pode se intensificar. Nem sempre é possível prever até onde ela pode chegar, mas existem sinais. Estar atenta a eles é um passo importante.

Antes de terminar, quero ressaltar que o debate sobre a violência contra mulher precisa chegar aos homens. Enquanto eles não se implicarem na mudança — reconhecendo e questionando comportamentos — não será possível transformar essa estrutura.

Então fica aqui um convite: para que os homens possam olhar para si — e reconhecer, nas próprias atitudes, aquilo que sustenta uma cultura que precisa mudar.

E quanto a nós, mulheres — seguimos, juntas e atentas. Você não está sozinha.

Se esse texto fez sentido para você, compartilhe. Falar sobre isso é uma forma de romper o silêncio, ampliar essa reflexão e participar da mudança.


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Publicado por Adriana Prosdocimi Psicanalista

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