Amar é dar o que não se tem

Como é possível “dar” ao outro algo que falta a si mesmo? Sustentando, através do amor, uma carência, uma falta, o motor do desejo.

O amor transforma o amado em amante, ou, aquele que ama em alguém que projeta, sobre o amado, sua falta. Assim, a relação amorosa transmite uma incompletude. Amar é dar uma ausência que demanda… demanda que é sempre, de amor.

Não há como ser tudo para o outro, por isso não completa, nunca vai completar! Se fosse assim, o que mais restaria para querer?

A falta faz a roda da vida girar e oferecê-la é ao outro é o que viria inaugurar a dimensão do amor. Ao falhar em sua realização, o amor abre o espaço de “circulação” da falta.

Tentar ser tudo para o outro é se apagar ou esperar que o outro seja tudo para você, é tamponar a impossibilidade de completude, é se tornar um objeto.

Tudo em excesso é ruim, até o amor

A gente coloca no amor (ou nas relações amorosas) um tanto de ingrediente que talvez nem façam parte da receita: como ciúmes, controle e expectativas pautadas em idealizações.

Quantas vezes você já justificou excessos em suas relações como sendo motivados por amor? É muito comum a gente escutar ser louvável se sacrificar por amor. Será?

Obviamente que amor é doação e, em uma relação amorosa, é preciso abrir mão de algumas coisas.

O problema é que nos ensinaram que existe uma receita para a felicidade na vida adulta: casar e ter filhos. Pelo menos na minha geração era assim, agora as coisas estão mudando e ainda bem!

Esse caminho é endereçado principalmente às mulheres, numa sociedade machista, obviamente, onde os homens sempre têm algo mais importante e valoroso a fazer (!).

Essa imposição é terrível, pois desperta uma sensação nas mulheres (quase que uma obrigação) de ter um parceiro a qualquer custo e, pior, para mantê-lo, muitas se submetem a coisas horríveis, inclusive, colocando a própria felicidade em segundo plano.

Isso pode parecer um discurso meio antigo, afinal, o feminismo está aí, e a luta segue firme por direitos iguais. Mas, acredite, não é.

O desejo de ser amado

Dar demais ao outro, no entanto, também tem a ver com o nosso profundo desejo de ser amado.

Acontece que querer se adaptar ao que o outro espera de você (ou o que se imagina que ele espera), é um caminho que pode te levar a se perder de si mesma.

A busca por ser tudo para o outro, faz com que você cometa excessos, na tentativa de ser o que se imagina que o outro quer que você seja.

Como sair disso? Interrogando, primeiramente, essa logica, para entender se ela condiz com o seu desejo, ou se você só está presa nesse lugar infantil: para ser amada eu preciso fazer o que o outro quer que eu faça (o que é sempre uma suposição).

A pessoa se encontra subjugada ao outro, na medida em que tenta suprir suas (supostas) necessidades — e aí há uma desconexão com o que é importante para você.

Amar sem esperar tantas garantias — de ser amado, de nunca ser abandonado, etc., pois elas não existem — pode ser bom caminho nos relacionamentos amorosos.

Priorizar você é correr o risco de deixar para trás a fantasia infantil de que precisa ser amada pelo outro para existir! Este é um dos muitos percursos possíveis em uma análise. Se precisar de ajuda, entre em contato comigo e agende uma sessão.

Publicado por Adriana Prosdocimi Psicanalista

Psicóloga e psicanalista. Atua especialmente com consultas online — uma forma de atendimento que rompe as barreiras da distância, facilitando o acesso ao psicólogo, inclusive para os brasileiros que vivem no exterior.

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