O medo é um afeto

Desconfie dos seus medos, eles podem apontar a direção dos seus sonhos.

Temos medo de ter medo. E não deve ser assim, pois o medo é um sentimento muito útil. Ele nos protege, nos defende de perigos externos e internos, mas também da realização dos nossos sonhos.

Como assim? O medo às vezes nos protege de realizar o que queremos. Como muitas vezes é difícil saber o que realmente se quer, temos que aproveitar as pistas e o medo é uma delas.

Se o medo provoca uma ansiedade diante uma possibilidade de fracasso, de alguma forma nos diz o que seria então, o “sucesso”. Se o medo nos paralisa, não fracassamos, mas também não realizamos.

O medo diz sobre o modo como um estímulo nos afeta e a emoção que nos evoca, ou seja, sobre como respondemos a esse estímulo. E aí, qual a sua escolha: acolher ou reprimir?

Acolher o medo, um ato de coragem

Se o medo é um sentimento da natureza humana, devemos mesmo nos fazer essa pergunta: acolhê-lo ou reprimi-lo? 

Para acolher, é preciso transformar a sua percepção sobre o medo. 

Quando um estímulo (interno ou externo) provoca medo, ele evoca uma resposta, uma emoção. Existem várias formas de reagir a esse medo: dissimulando, disfarçando, com emoções como raiva, tristeza ou tirania.

O medo pode passar por uma fase de indeterminação e aí aparece como angústia. Anular o medo ou fingir que ele não existe, sem tentar buscar o que causa esse sentimento, pode gerar quadros de depressão, ansiedade e distúrbios emocionais.

A saída da indeterminação é quando a angústia se transforma em medo, quando o objeto (o que causa o medo) se torna mais claro, o que nos dá mais possibilidades de fazer algo com isso.

Fazer algo significa, de alguma forma, focar no que gera dor, acolhendo esse sentimento e não o evitando a qualquer custo. Uma das saídas possíveis é a coragem, que envolve focar no que gera desconforto.

“A coragem é uma virtude que surge a partir do tratamento que damos ao medo e a maturidade tem a ver com a capacidade de desenvolver reações mais complexas em relação ao medo que sentimos.” Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Escolha a coragem e não o medo. Coragem não é ausência de medo, isso é tolice. Coragem é o enfrentamento do medo, que passa pela seu reconhecimento e acolhimento. O medo pode paralisar, mas também pode ser uma mola, um impulso que leva ao seu atravessamento e à grandes realizações.

Você tem medo do quê?

Publicado por Adriana Prosdocimi Psicanalista

Psicóloga e psicanalista. Atua especialmente com consultas online — uma forma de atendimento que rompe as barreiras da distância, facilitando o acesso ao psicólogo, inclusive para os brasileiros que vivem no exterior.

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